Desde o século XII a.C., os Fenícios, povo de origem semita, instalavam portos no Norte da África. Cartago foi fundada no século VIII a.C., dois séculos mais tarde, o reino de Cartago cobria a maior parte da Tunísia moderna. Após as Guerras Púnicas, em 146 AC Cartago passou a ser parte do Império Romano, situação que durou até meados do século VII d.C., quando os árabes muçulmanos conquistaram a região. Os árabes encontraram tenaz resistência na conquista da região no século VII da Era Cristã e transformaram a cidade de Túnis no mais importante centro religioso islâmico do norte da África. Em 1574, a Tunísia foi incorporada ao Império Turco-Otomano e permanece administrada por governadores turcos (beis) até 1881, quando se torna protetorado da França. Na 2ª Guerra Mundial, o país, ocupado pelos alemães, é palco de combates. Com o fim do conflito floresce o movimento nacionalista.
Dido, segundo a lenda, foi a primeira rainha de CARTAGO. Era filha de Matã I, rei de Tiro e irmã do também rei de Tiro, Pigmalião (r. 814–803 aC), que matou o primeiro marido de Dido, Siqueu, por cobiçar a sua riqueza. Dido consegue fugir com alguns amigos e partidários, levando consigo as riquezas do marido. Chegando a Costa do Mediterrâneo, norte da África, Dido resolve ficar e formar sua nova pátria, no Sec. IX aC. Ela negocia com o Rei Jarbas a compra de terras e ficou acertado que poderia comprar apenas a quantidade de terra que conseguisse cercar usando a pele de um único touro. O pedido é aceito e Dido logo manda cortar o couro de um touro em estreitas tiras com o qual cercou uma imensa área de forma circular onde construiu a cidade com o nome de Birsa (couro). Em torno dessa cidade começa a se formar outra, Cartago, que logo se torna próspera e continua com os cartagineses, os romanos, os bizantinos, os árabes, os otomanos e, finalmente, os franceses. Esta história de fundação de Cartago ficou no folclore da Física com o nome de "Problema de Dido", que se pode enunciar como: "Dada uma curva de comprimento finito, qual é a forma que esta curva deve ter para que a sua área seja máxima?" Enéias chega a Cartago com seus troianos depois de um naufrágio. Dido recebe-os muito bem, mostra-se muito hospitaleira já que ela mesma passara por um sofrimento parecido. Dido acaba se apaixonando por Eneias, que se mostra feliz ao ter a oportunidade de parar de uma vez por todas com suas aventurosas peregrinações, recebendo um reino e uma esposa. Passam-se meses e os dois vivem apaixonados. Eneias parece esquecido da Itália e do império que estava destinado a fundar em suas terras. Quando Júpiter vê essa situação, manda o mensageiro Mercúrio lembrá-lo de sua missão e ordenar que parta imediatamente. Dido, numa tentativa frustrada de convencê-lo a ficar, acaba se apunhalando e se jogando numa pira funerária.
Por que fui para a Tunísia? Porque aos 20 anos li Salambô de Gustave Flaubert e me empolguei com a história e, agora com 82 anos, realizei meu sonho. Estive no exato lugar onde Dido chegou, de Tiro, e comprou para se instalar com sua corte, e depois se transformou no porto comercial de Cartago ligado por um estreito canal com o porto militar que ficava absolutamente escondido e a pequena vila cresce e se transforma na poderosa Cartago que domina o comércio no mediterrâneo até o aparecimento de Roma. O guia informa que, nesse local, se encontraram submersas diversas embarcações provando a existencia do porto. O que me chamou a atenção é a existência ao lado desse ponto do Museu Oceanográfico Salambô, pois atualmente essa região é o Bairro Salambô!
A viagem começou em Túnis que visitei num tour particular no taxi do Mohamad; a cidade na parte popular é uma verdadeira vila acanhada com ruas estreitas e sem nenhum planejamento. Começamos pelo Cemitério Americano da 2ª Guerra Mundial, um lugar lindo numa colina com uma formidável vista de Túnis, com muita paz e muito bem cuidado, estão enterrados 2.841 corpos em 27 acres de jardim muito bem cuidado.
Tudo muito pacato e sem congestionamento, fomos à Marina com centenas de barcos. No dia seguinte tive um guia que me levou para conhecer a parte moderna da cidade que, diga-se, é muito acanhada e provinciana, com poucos prédios altos sendo que há um único espelhado com 27 andares que é mostrado com orgulho, há algumas avenidas largas e a Praça do Parlamento e uma catedral católica.
Como destaques as Termas de Antonino, interessantes, o Anfiteatro onde se faz o famoso festival internacional de Cartago.
Depois a grande surpresa da viagem a vila de Sidi Bou Said uma encantadora/linda/formidável vila com ruas estreitas e tortuosas com casas e comercio em casas brancas e janelas azuis que superam em muito Santorini na Grécia, tanto pelo requinte, como pela impecável limpeza e beleza do cenário que contem a vila e o mar no entorno.
Visitei o Museu do Bardo, considerado o maior e melhor museu de mosaicos romanos, com o que concordo pois há mosaicos com rostos expressivos e corpos com volume numa precisão e qualidade magníficas que inpressionam. Depois fomos para Monastir e visitamos o magnífico Ribat de Monastir, o mais antigo da África construído pelos árabes.
[Ribat é uma construção para abrigar militares e nesse Ribat se aquartelavam até 2.000 homens]
Depois fomos para Sousse visitar sua Medina [Patrimonio mundial, Unesco].
Depois fomos para El Jem, onde está o formidável Anfiteatro construído em 238 dC [com 148m de comprimento por 122m de largura que comporta 35.000 pessoas, é o 3º do mundo].
Depois fomos para Matmata, uma pequena vila bérbere com suas casas subterraneas incluídas nas montanhas, que abrigam do calor sol e com ventilação que torna a moradia fresca e agradável, todas tem páteo externo inclinado que eles usam para guardar as águas da chuva, recolhidas em depósitos subterrâneos para manter e abastecer a casa.
Depois atravessamos o Lago Salgado Chot el Jerid [200km x 90km], onde a Tunísia tira seu sal para consumo próprio e exportação como fonte de renda.
Depois Tozeur a porta do Sahara, onde se encontra o enorme Sahara com dromedários para passeios e um por do sol de tirar o folego. Fomos a um oásis nas montanhas [792m] e visitamos a Medina da cidade. Do oásis, a 5km da fronteira com a Argélia, saimos em um Toyota 4x4 ultimo tipo, num delirante safari com dunas de até 40m de altura descidas em alta velocidade com toda a emoção e adrenalina até chegar aos cenários onde foi filmado Star Wars. Em Touzeur está a 4ª mais sagrada Mesquita para os muçulmanos, seu enorme pórtico é construído com resto de colunas romanas e bizantinas [com e sem bases], ela é enorme e muito visitada pelos peregrinos do mundo árabe.
Terminamos em Hammamet complexo turístico a 1h de Túnis, com mais de 30 hotéis à beira do Mediterrâneo [água muito fria] com centenas de europeus que aí vão, alegremente, atrás do sol mediterrâneo, pois é muito perto [50 min de voo de Roma] e muito mais barato que as praias europeias.
TÂMARAS
As tâmaras podem ser classificadas por umidade (macias, semi-secas e secas) ou por variedades específicas como Medjool, Deglet Noor e Khalas. As macias são mais úmidas, suculentas e com sabor intenso, enquanto as secas são desidratadas, mais firmes e concentram mais o sabor doce e açúcares. As semi-secas ficam no meio-termo. O principal tipo de tâmara cultivada na Tunísia é a 'Deglet Nour', amplamente considerada uma das melhores variedades do mundo. A Tunísia é um dos maiores produtores e exportadores desta tâmara, que é cultivada predominantemente nos oásis do deserto do Saara.
Tipo Principal: 'Deglet Nour'
Significado do Nome: Em árabe, 'Deglet Nour' significa "tâmara da luz", uma referência à sua polpa translúcida quando madura, que permite ver o caroço através da fruta.
Características:
Textura: Semimacia a semiflexível, com uma consistência suculenta e uma leve firmeza que a diferencia de outras variedades.
Sabor: Doce e delicado, com notas que lembram mel e caramelo.
Aparência: Cor âmbar a castanho claro, forma alongada e casca fina.
Nutrientes: Rica em fibras, vitaminas e minerais essenciais como potássio, magnésio e ferro.
Detalhes do Cultivo na Tunísia
Regiões de Cultivo: O cultivo está concentrado principalmente nos oásis do deserto, como a região de Jerid, no sudoeste do país, que possui condições climáticas ideais (dias quentes e noites amenas) para o desenvolvimento da tamareira.
Condições Ideais: As tamareiras (Phoenix dactylifera) necessitam de pleno sol, solos arenosos e bem drenados, e são extremamente resistentes à seca após o estabelecimento inicial.
Importância Cultural e Econômica: A tâmara tem uma importância cultural e econômica milenar na Tunísia. Cada família nos oásis frequentemente possui uma pequena plantação. A colheita e a seleção dos frutos são atividades importantes que envolvem a comunidade local.
Classificação: A 'Deglet Nour' é classificada como uma tâmara semi-seca, o que contribui para sua vida útil mais longa em comparação com variedades mais macias.
Embora existam centenas de variedades de tâmaras no mundo, a 'Deglet Nour' tunisiana destaca-se pela sua qualidade superior e é um produto de exportação de referência do país. Considerada a melhor variedade de tâmaras do mundo, a Deglet Nour da El Monaguillo é cultivada em um Oasis no deserto do Saara.
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes